As peças feitas à mão do projeto Café Igaraí têm, como tema, a bebida em si e toda sua produção, a partir do plantio, no interior paulista. Grãos pintados em porcelana com realismo e sutileza, ramos da planta, com frutos e flores delicadamente bordados em guardanapos e toalhas de mesa, quadrinhos com cenas de fazendas, e desenhos inspirados nas aves que habitam os cafezais – tudo combinando, na exata medida, realismo e poesia, com técnica esmerada. As cores remetem ao universo da lavoura do café: utiliza-se o branco, o cru, o marrom, o preto e tons terrosos resultantes do tingimento vegetal natural com  palha e pó de café reciclado, folhas de árvores amigas dos cafezais, como pata-de-vaca, amoreira, ipê, jacarandá e outras, todas  típicas da região de Igaraí, povoado rural de Mococa, a 260 quilômetros da capital.

 

A grande surpresa da linha de artesanato Café Igaraí, porém, ocorre quando se olha nos rostos e se vê as mãos – fortes, marcadas, calejadas – das artesãs habilidosas responsáveis por esta produção singular. Hoje, agulhas, linhas, tesouras, tecidos, pincéis, ocupam o lugar do instrumento de trabalho que carregaram durante anos, até bem pouco tempo atrás: a enxada, a pá, os balaios para colocar os grãos colhidos, com mãos nuas, na “panha de café”, como se referem à colheita.

 

 

O projeto Café Igaraí reúne, neste momento, 13 mulheres, a maioria ex-lavradoras, ou de famílias que trabalham na lavoura de café, e que dominam técnicas de artesanato passadas de mãe para filha, como o bordado e o crochê. Aprenderam pintura em porcelana, aprimoraram a costura e tiveram aulas com o designer Renato Imbroisi e sua equipe, de São Paulo, que as orientou criando e desenvolvendo, em parceria com o grupo, produtos com identidade local, valor agregado e apelo comercial dirigido ao público apreciador do artesanato com design que se faz hoje no Brasil.

A inspiração no tema café apela diretamente à vivência coletiva e ao histórico particular de quem produz as peças. O resultado remete à tradição e ao ambiente bucólico e acolhedor, característico das fazendas paulistas de café.

 

Para a organização inicial do projeto a partir de abril de 2006, foi fundamental o apoio do Sebrae/ SP e da própria comunidade de Igaraí, que veio tanto das autoridades locais e como dos fazendeiros. Hoje, bem estruturado, o grupo caminha sozinho.

A produção de artesanato traz, para estas mulheres e suas famílias, geração de renda, inclusão social e auto-confiança, ao mesmo tempo que permite o resgate e o aprimoramento de conhecimentos tradicionais de artesanato. É uma parceria entre necessidades cotidianas materiais e emocionais, e preservação histórica.

Seria exagero dizer que o café corre nas veias destas ex-lavradoras, hoje artesãs; mas, sem dúvida, ele está plantado fundo em seus corações.

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